Belas despedidas
Já li que a data é 1943 mas o letreiro na fachada é claro: desde 1952. Certo é que só fui dar conta de sua existência em 1995, quando comecei a bater cartão (no sentido literal) na Casas Pernambucanas. Muitas vezes na hora do almoço, aproveitando a sombra da marquise devidamente adornada pelos painéis pintados pelo espanhol José Robles, dividi com mendigos os degraus de mármore da sua entrada para uma rápida pestana.

Do meu sofá sofro vendo os jogos, já que não frequento estádios por uma promessa que fiz ao
Vivemos um tempo estranho em que as garotas sentem-se atraídas por caras pseudo-inteligentes que carregam grossas armações de óculos em suas faces. Isso me espanta. Sou do tempo que ser nerd era motivo de vergonha e essa moçadinha de agora, de nerd, só tem o estilo, tipo punk de boutique: você não precisa viver a coisa, basta parecer fazer parte, só que de forma um pouco mais domesticada como essas
Possuo uma antiga obsessão por calçados a ponto de julgar diversos aspectos sócio-culturais de uma pessoa, apenas pelo que ela está calçando. Por isso, a primeira coisa que me lembro sobre a Miotto é de ela usava um scarpin jeans e que ela me pareceu uma menininha bem da genérica. Isso foi em 2002 e, ainda que eu continue julgando as pessoas pelos calçados com o mesmo vigor, aprendi que às vezes é melhor dar mais uma chance.
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A simplicidade da lógica infantil é encantadora. Quando criança eu achava que o maior salário do Brasil era o do presidente da república. Uma ideia tão racional quanto inocente. Também achava que o metrô de São Paulo, com duas linhas que ainda se chamavam Norte-Sul (azul) e Leste-Oeste (laranja), tinha uma composição perfeita, atendendo todas as regiões de uma cidade cujo tamanho real eu ainda não fazia ideia qual fosse. Perto de casa havia uma estação com o nome do meu amado time e, no meio disso tudo, a faraônica estação Sé, uma incrível babel onde todas as pessoas se cruzavam, quaisquer que fossem seus destinos.
Os clichês só são clichês porque têm seu valor. E ainda que não fossem os clichês mais meigos da cultura brasileira, Ronald carregava vários na ponta de língua. Frases como “somente o bom se perpetua” ou “um dia você vai dar razão pra mim” eram lugar comum em qualquer discussão com ele. Ronald adorava discutir, tanto que até hoje não ficou claro se ele acreditava mesmo em algumas coisas que defendia ou se fazia isso apenas pelo prazer da retórica.
Querido Jerry,