Carlos Sivalli Ignatti

Tambm conhecido como Caco Ignatti, Carlos Ignatti, Caquera, Caquinho, Caco.

Belas despedidas

Varanja Belas ArtesJá li que a data é 1943 mas o letreiro na fachada é claro: desde 1952. Certo é que só fui dar conta de sua existência em 1995, quando comecei a bater cartão (no sentido literal) na Casas Pernambucanas. Muitas vezes na hora do almoço, aproveitando a sombra da marquise devidamente adornada pelos painéis pintados pelo espanhol José Robles, dividi com mendigos os degraus de mármore da sua entrada para uma rápida pestana.

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Um time gigante

Corintiano de coraçãoDo meu sofá sofro vendo os jogos, já que não frequento estádios por uma promessa que fiz ao meu pai. No dia do rebaixamento, em 2007, me isolei algumas horas para no ano seguinte, perceber que independente da divisão, era o mesmo Corinthians que estava lá em campo. Chapei de Rivotril na eliminação da Libertadores 2010, por mais uma chance desperdiçada. Ainda assim não me encaixo na categoria de torcedor fanático, tampouco de especialista no esporte bretão. Sou apenas mais um corintiano que, durante os 90 minutos que o time está em campo, se entrega por inteiro a uma experiência única: a de torcer pra um time grande de verdade.

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Orgulho nerd é minha benga

Vivemos um tempo estranho em que as garotas sentem-se atraídas por caras pseudo-inteligentes que carregam grossas armações de óculos em suas faces. Isso me espanta. Sou do tempo que ser nerd era motivo de vergonha e essa moçadinha de agora, de nerd, só tem o estilo, tipo punk de boutique: você não precisa viver a coisa, basta parecer fazer parte, só que de forma um pouco mais domesticada como essas modelinhos fazendo pose de intelectual com calcinhas de algodão e lábios carnudos.

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As intermitências de Miotto

Possuo uma antiga obsessão por calçados a ponto de julgar diversos aspectos sócio-culturais de uma pessoa, apenas pelo que ela está calçando. Por isso, a primeira coisa que me lembro sobre a Miotto é de ela usava um scarpin jeans e que ela me pareceu uma menininha bem da genérica. Isso foi em 2002 e, ainda que eu continue julgando as pessoas pelos calçados com o mesmo vigor, aprendi que às vezes é melhor dar mais uma chance.

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Pegadinha do Mallandro

PistolãoFoto: Paula Ragucci
Era fevereiro de 2009 e a festa da carne rolava solta. Em vez de curtir como folião e encher a cara, tive a infeliz ideia de convidar uma nativa de Osasco para ir ao cinema. A cabrocha tinha lá seus 27 anos e só havia visto três filmes na telona em sua vida. Começou com Super Xuxa contra o baixo astral, passando por Onze homens e um segredo e finalizou com estilo vendo 10.000 AC. Aí errei na mão e a levei para assistir O lutador, de Darren Aronofsky.

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O metrô e a simplicidade perdida

MetrôA simplicidade da lógica infantil é encantadora. Quando criança eu achava que o maior salário do Brasil era o do presidente da república. Uma ideia tão racional quanto inocente. Também achava que o metrô de São Paulo, com duas linhas que ainda se chamavam Norte-Sul (azul) e Leste-Oeste (laranja), tinha uma composição perfeita, atendendo todas as regiões de uma cidade cujo tamanho real eu ainda não fazia ideia qual fosse. Perto de casa havia uma estação com o nome do meu amado time e, no meio disso tudo, a faraônica estação Sé, uma incrível babel onde todas as pessoas se cruzavam, quaisquer que fossem seus destinos.

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Ronald

Ronald e FamíliaOs clichês só são clichês porque têm seu valor. E ainda que não fossem os clichês mais meigos da cultura brasileira, Ronald carregava vários na ponta de língua. Frases como “somente o bom se perpetua” ou “um dia você vai dar razão pra mim” eram lugar comum em qualquer discussão com ele. Ronald adorava discutir, tanto que até hoje não ficou claro se ele acreditava mesmo em algumas coisas que defendia ou se fazia isso apenas pelo prazer da retórica.

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A menina do telemarketing

Todos os meses era a mesma coisa e eu gostava assim mesmo. Ela me ligar com a mesma rigorosa frequência, permitia premeditar minha reação no inútil ritual de conversar com a menina do telemerketing da operadora de cartão de crédito. Ok, nunca era a mesma pessoa e a menina poderia ser até um menino, mas na minha cabeça existia uma entidade chamada “menina do telemarketing” que poderia trabalhar em qualquer empresa e ter qualquer idade.

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Uma carta sobre nada

Jerry & Geroge & Elaine & CozmoQuerido Jerry,
Sem ainda ter ideia da importância que você viria a ter num período da minha vida, ouvi falar do seu show em 1998 por meio de uma colega de trabalho que te descreveu como uma pessoal maldosa e com piadas ótimas. Meus interesses na época eram outros e meu humor bem menos refinado de forma que, mesmo ouvindo seu sobrenome tantas vezes nos anos seguintes, só fui assistir e apreciar seu trabalho 10 anos depois.

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Parabéns pra ninguém

Não há inocência, não há respeito. Uma geração formada por crianças, não importando a idade real, como diria meu amigo Juliano Jubash, comemoram todos pimpões o halloween ou o San Patrick’s Day, mas quando chega na Sexta Feira Santa, correm comer um churrascão para exercer toda sua pseudo rebeldia e revolta para com a igreja e as tradições. Não há parâmetros para absolutamente nada, nem pra comemorar uma data que egoisticamente falando, todo miserável ser deste mundo deveria ter respeito, o próprio aniversário.

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