Sobre bilhetes de loteria e mojitos
Se você comprar um bilhete de loteria, ele só deixa ou não de estar premiado quando você confere o resultado. Como as chances do prêmio normalmente são ínfimas, há quem goste de adiar o momento de saber os números, apenas para ficar fantasiando as coisas que poderia fazer com o dinheiro. É o tipo de atitude que entraria fácil para a lista de pequenos prazeres da Amelie Poulain como uma livre variação do ditado “as vezes o caminho da viagem é melhor que o próprio destino”.
Hoje recebi um bilhete de loteria por e-mail. O título tinha apenas uma palavra, suficiente pra arrancar o primeiro sorriso do dia em uma manhã de ressaca e sono. Diferente de qualquer outro ser humano minimamente normal, não quis ler a mensagem assim que ela chegou. Por quase duas horas, quando em vez, eu dava uma olhada no título e ficava imaginando o que eu podia esperar do seu conteúdo. Não pensava em nada mirabolante, apenas como quão inusitado era tudo aquilo, já que nem é do meu feitio entregar mojitos com meu e-mail escrito em um guardanapo para meninas bonitas na balada. A verdade é que eu nunca tinha feito isso antes, por isso, num primeiro momento, minha expectativa no ato foi quase nula, bem diferente da que eu me auto-infligi ao adiar a leitura. Ela era alta e estava me fazendo bem.
Contei para algumas pessoas a história e a resposta quase sempre foi algo como, “Lê logo essa merda!” e chegou um momento que não pude mais resistir a pressão popular. Ok, confesso que até em minhas projeções pessimistas eu não tinha imaginado a resposta que li, até porque ela não foi ruim, apenas não o que eu imaginava. Para exemplificar, seria algo como eu fazer a prova, ser aprovado no concurso e descobrir que a vaga é incompatível com minha formação. Ainda assim, valeu a pena. O e-mail que ela mandou foi muito bacana e, ainda que o sorriso tenha diminuído, não tenho absolutamente nada do que reclamar. Ganhei uma ótima história pra contar e descobri que mojito é um ótimo agregador social. Quem sabe na próxima vez meu bilhete de loteria vem premiado.


eu adorei essa história, sensacional.
O nosso Caco está, cada vez mais, um escritor dos bons. Lagriminha de orgulho.
a historia é otima, só tem um problema… não aceite bebidas de estranhos na balada. por favor. é mto perigoso. :/
eu sempre volto aqui pra ver se tem post novo!