Eu sempre tenho razão

O título auto-explicativo e sem modéstia alguma é real e quero ilustra-lo com um causo recente.

Sábado desses estava bebendo meu segundo pint de Heineken na companhia um amigo quando, de repente, um desconhecido número acende na tela do meu aparelho celular. Até aí, nada anormal, todo mundo tem o direito de te ligar errado por volta da 1h30 da madruga. O problema é que a pessoa do outro lado realmente queria falar comigo, mesmo que isso não deixe de caracterizar o bizarro telefonema como um engano.

Ainda sem saber de quem se tratava devido ao barulho do bar, saí correndo para a área de fumantes quando escutei um, “É a Gabi*”, “Mas que Gabi?”, “A Gabriela*”. Um surto de nostalgia invadiu meu coração. Não escutava aquela voz há pelo menos um ano. E não somos nem amigos há bem mais tempo que isso.

Quem me conhece sabe de quem estou falando e num nível ou outro, conhece a história. Fato é que desde o ocorrido carrego um bordão que é “essa menina ainda vai me procurar”. Deveras criticado por ele, o pessoal dizia que nunca aconteceria e que eu nem deveria esperar isso. Na verdade eu nunca esperei, dizia aquilo mais como um fato concreto do que como um desejo contido. Enfim, aconteceu, da forma mais inusitada possível.

Aparentemente ébria, Gabriela* limitava-se a dizer que eu havia fodido sua vida, num repetitivo mantra mesclado com um som que não pude distinguir se eram risadas ou prantos. Mais engraçado foi o orgulho juvenil da menina, uma vez que mesmo me ligando no inicio da madrugada pra não me contar nenhuma novidade, se mostrou bastante rebelde ao dizer que não interessava onde estava quando perguntei sua localização. Assim como me ligou, também desligou do nada o telefone. Ainda trocamos alguns SMSs, mas foram tão desnecessários e improdutivos quanto o telefonema.

Mesmo que eu tenha acertado o fato de que cedo ou tarde ela me procuraria, até agora não sei para quê ela fez isso. Só sei que me senti envaidecido. Não pelo fato de achar que a saudosa Gabriela* ainda pensa em mim, já superei essa história e na boa, caguei pra ela. Fiquei feliz por ter, mais uma vez, atestado a veracidade da minha teoria de que sempre tenho razão.

Mas na vida real, ter razão não significa ser feliz. As vezes as duas coisas se encontram, como nessa bizarra história. As vezes, simplesmente não.

* Gabriela é um nome fictício que dei para a cabocla, ou como uma amiga sugeriu, para a piveta.

    • ap
    • fevereiro 1st, 2010 4:30pm

    eu tb adoro ter razão, mesmo sendo a maldade pontuda e espetando meu coraçãozinho… é uma sensação deveras gostosinha.

  1. março 3rd, 2010
    Trackback de :| Ardil
  2. março 21st, 2010