Quando um filme iraniano vale um emprego

A partir de 1998 peguei gosto em ir ao cinema, principalmente sozinho. E, apesar de nessa época os Cinemarks estarem bombando, nunca fui chegado em cinema de shopping, por isso não foram poucas as vezes que eu saí da inóspita Z/L para ir ao Belas Artes ou Espaço Unibanco e assistir um filme aleatório. O importante era que fosse um filme alternativo, o famoso filme “iraniano”, ou como um amigo falou uma vez, “Carlão, puta que pariu, você só assiste essas merdas de filmes uraniano!”.

No entanto sempre tive o bom senso de não cair na armadilha de ver qualquer filme conceitual sem sentido. A película precisada d’algo mais pra me chamar atenção. Assisti muita coisa bacana e muitas outras bem ruins, mas posso dizer seguramente que o filme que mais me encantou na época foi Magnólia. E, na verdade, até hoje ele encabeça minha lista de filmes prediletos.

Lembro que quando assisti Magnólia pela primeira vez, eu não fazia a mínima ideia do porquê caralhos tinha aquela chuva de sapos no filme, mas não me importava, aquilo pra mim pareceu a redenção dos personagens, o que até estava correto, mesmo que eu na ocasião eu não tivesse o embasamento para entender.

Devido esse encantamento, fazia questão de dividir meu amor pelo filme com os outros. Logo virei o “maluco que gostou de Magnólia”. Incontáveis vezes me enfiei em discussões explicando a história e tentando convencer os outro, quase sempre sem sucesso, que o filme era legal.

Logo que assisti, fiz uma resenha sobre o filme no blog de um finado site que tive. Em 2001, numa entrevista de emprego, passei o link desse site para que o dono da empresa pudesse avaliar meus conhecimentos. Pouco tempo depois fui contratado e, em uma conversa informal, meu chefe confessou que me escolheu por conta da resenha sobre Magnólia. Não que ele tivesse achado o texto genial ou mesmo tido o mesmo encantamento que eu pelo filme, muito pelo contrário, ele me disse, “Esse filme é muito ruim. Para ter gostado dele, o cara só pode ser bom. Ninguém incompetente pode gostar daquilo”. Torpe ou não, o motivo me rendeu o emprego que estou até hoje. São mais de 8 anos trabalhando no mesmo lugar, justamente porque um dia, aleatoriamente, resolvi ver Magnólia no cinema. O próprio filme trata desse tipo de coincidência, o que torna toda essa história mais especial ainda para mim.

Uma das coisas que mais me encantou em Magnólia foi o trecho onde os personagens cantam a música Wise Up da Aimee Mann.

Por gostar de Magnólia e tantos outros filmes alternativos, ganhei fama de só assistir filmes iranianos. O irônico é que nunca ví um filme feito no Irã. Será que são bons?

    • Natalie
    • março 7th, 2010 3:09am

    Magnólia me faz chorar. É um daqueles filmes que eu acabo vendo duas ou três vezes até gostar de verdade e entender seu sentido. Desde então, indico aos amigos que se interessam pelo tal cinema iraniano. Engraçado que quando lembro de Magnólia, penso também naquele Eu, você e todos nós. Parece que eles se completam, de alguma forma. E por se completarem, se tornam ainda mais complexos e significativos. Me pego pensando em como a vida real é da forma que mostram nos filmes. E por causa disso, passo mais da metade do meu dia filosofando sobre a vida que nós não entendemos.

    • Caco
    • março 7th, 2010 3:11am

    @Natalie
    ))<>((

    • Tata
    • março 7th, 2010 9:00pm

    Caco, vc falava nesse filme quando eu te conheci! E, vergonha, ate hoje eu nao assisti! Vou tentar alugar essa semana! Essa do emprego eu nao sabia, mas eu divido o mesmo gosto por filmes uranianos, hahhahah! boa essa!

  1. Mágico momento em que eu descobri que Magnólia era um Cult Americano muito bem feito, cheio de simbolismos e metáforas, e que graças a Deus Tom Cruise havia enveredado por outro caminho, um caminho sem volta, que mudaria meu conceito sobre os galãs de Hollywood, logo depois veio como Vanilla Sky que causou outro furor em minha cabeça!

    Engraçado ler tudo isso e me deparar com minha vinda para Sampa, cidade cinza que me encantou e me deu oportunidades valiosíssimas!

    E foi justamente naquele cinema, o famoso Belas Artes, aquele das antigas, que minha vida mudou, quando assisti ao Cult “Marido Da Cabeleireira”, um filme francês maravilhoso cheio de cenas hilárias e simplicidade em cenas poéticas e eróticas praticamente únicas.

    Belas Artes em nossas vidas! Que maravilha!
    Aquela chuva de sapos me deixou atordoada, me instigou a querer respostas…

    Versículo de Êxodo 8:2 e este número aparecia no filme… intrigante!

    Adorei sua história, contada de uma forma macia, verdadeira!

    Acho que vc foi uma excelente aquisição para seu patrão, afinal, não é fácil encontrar tamanha sensibilidade andando pelas ruas… Você sempre verá poeticamente sua trajetória! Perfeito!

    Parabéns!
    Beijo
    Bee Scott

    • Wal
    • março 18th, 2010 10:27am

    A Danuzza postou sobre o teu blog, por algum acaso vim aqui ler.
    Fiquei felizmente surpresa. Magnólia é o meu filme predileto e eu amo essa cena com a música da Aimee Mann.

    E fico feliz por ter mais gente nesse mundo que ama e entende esse filme. Aliás, sempre procuro o DVD pra comprar, mas aparentemente não exite aqui no Brasil.

    • Nadine
    • agosto 4th, 2011 4:40pm

    Nem sei dizer como cheguei aqui. Devo ter visto o link no blog do conhecido, de um conhecido, de um amigo de um conhecido… mas cheguei. Às vezes tenho receio em comentar postagens antigas, tenho a sensação de que perdi o time e agora já era. Vim lendo de trás pra frente, gostando muito de quase tudo e quando cheguei aqui foi impossível resistir à tentação. Também preciso falar sobre Magnólia!
    Lembro da minha primeira experiência com ele, por volta de 2001, na época em cassete. Muito sabiamente coloquei a fita sem dar muita atenção aos detalhes, eis que o filme começou sem nenhum crédito inicial, mas tudo bem. Encarei aquilo como modernidade. E eis, novamente, que os créditos finais aparecem menos de duas horas depois. Moral da história: comecei pelo fim. No alto dos meus 14 anos a chuva de sapo já não faria sentido na ordem correta do filme… imagine da forma como assisti?!
    Basicamente não entendi uma vírgula, mas não achei que seria normal não gostar. Ele me pareceu bom demais, então era só culpa da minha forma alternativa de assistir. Ele ficou martelando. Inúmeras vezes ensaiei vê-lo novamente, mas isso nunca acontecia. Até que há menos de um mês, agora com 24, finalmente assisti Magnólia e sim, adorei! Com a ordem certa, talvez com a idade mais adequada, com o estado de espírito adequado, finalmente e simplesmente adorei.
    (Wise Up carrego comigo desde 2001. Sempre presente nos mp3players da vida… sempre me relembrando a cena.)

    Desculpe-me pelo excesso. Ser prolixa é uma das minhas características que mais me incomodam, só queria terminar dizendo que gostei demais daqui. Parabéns!

    • Nadine
    • agosto 4th, 2011 4:42pm

    Ah, só mais um comentário. Também gosto dos uranianos. E sim, no Irã tem coisa boa. Recomendo Rang-e khoda (traduzido como A Cor do Paraíso). Muito bom!!

  1. março 15th, 2010
  2. fevereiro 18th, 2011
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  3. maio 20th, 2011