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Sobre bilhetes de loteria e mojitos

Se você comprar um bilhete de loteria, ele só deixa ou não de estar premiado quando você confere o resultado. Como as chances do prêmio normalmente são ínfimas, há quem goste de adiar o momento de saber os números, apenas para ficar fantasiando as coisas que poderia fazer com o dinheiro. É o tipo de atitude que entraria fácil para a lista de pequenos prazeres da Amelie Poulain como uma livre variação do ditado “as vezes o caminho da viagem é melhor que o próprio destino”.

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Antigamente era melhor

No senso comum existe uma espécie de semi-bordão de que no passado as coisas eram melhores. Ouve-se a frase título deste texto com certa frequência da boca dos populares e, no geral, ela é bem pouco questionada por quem a escuta. Parece sábio atribuir ao passado a era de ouro da música, cinema, moda, design, games, futebol, arquitetura, costumes, cultura e muitas vezes até tecnologia. Verdade seja dita, a esmagadora maioria das vezes confunde-se o conceito de melhor com o de memória afetiva.

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Carta de aniversário para meu primeiro amor platônico

Orelha da LúQuerida Lady Lú,

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Um menino 4 olho

Meus óculosNo documentário brasileiro Janela de Alma, o diretor alemão Wim Wenders diz em seu depoimento que nunca deixou de usar óculos, porque acostumou a ver o mundo emoldurado. Para quem não possuí o hábito de usar molduras oculares em tempo integral, esse tipo de declaração soa bastante bizarra, mas o diretor de Asas do Desejo, dentro da sua realidade, está coberto de razão. Só quem usa óculos há muito tempo entende a relação que se tem com ele.

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Quando um filme iraniano vale um emprego

A partir de 1998 peguei gosto em ir ao cinema, principalmente sozinho. E, apesar de nessa época os Cinemarks estarem bombando, nunca fui chegado em cinema de shopping, por isso não foram poucas as vezes que eu saí da inóspita Z/L para ir ao Belas Artes ou Espaço Unibanco e assistir um filme aleatório. O importante era que fosse um filme alternativo, o famoso filme “iraniano”, ou como um amigo falou uma vez, “Carlão, puta que pariu, você só assiste essas merdas de filmes uraniano!”.

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Ensaio sobre o desapego

Até para o que não é bom é preciso ter dom. Para o cara que a vida toda foi certinho, é difícil virar um canalha do dia pra noite. Mesmo aquela garota linda, atraente, mas comportada, tem sérias dificuldades pra sair na balada pegando geral. Mentir, dissimular, ser apático e tantos desvios comportamentais, certamente são dons inatos que podem ou não ser exercitados no decorrer da vida.

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Música

Morcheeba - Big CalmTodo jovenzinho ou jovenzinha, não importando sua idade real, em alguma fase já tentou se afirmar usando a música como instrumento de auto-rotulagem. Eu mesmo, lá com meus 14 ou 15 anos, queria provar que Engenheiros era melhor que Legião e que só por que ouvia Green Day e Offspring, era adepto do movimento punk-rock. O bom de ser jovem é que você tem uma espécie de licença para ser imbecil e pode, assim como eu, contar essas coisas como anedota alguns anos depois.

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Tudo que coube em poucos segundos

E de repente depois de tanto tempo você tava ali parada do meu lado, de blusa, como sempre esteve, mas com um tênis laranja e uma pequena bolsa verde onde sua até então inseparável câmera certamente não caberia, sinal de que as coisas não estão assim tão iguais como sempre, mas isso é óbvio, está tudo diferente, meus olhos não são os mesmos, te vêem de forma muito diferente, ainda que meu olhar não tenha te enganado nem por segundo já que não deu pra eu disfarçar, e ainda que você tenha dito por aí que sou inconstante, não haveria como eu ser mais previsível que isso, se antes eu nunca escondi o que sentia, não haveria o porquê esconder agora, assim num pulo você se afastou e noutro eu fui embora porque já estava indo mesmo.

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Eu sempre tenho razão

O título auto-explicativo e sem modéstia alguma é real e quero ilustra-lo com um causo recente.

Sábado desses estava bebendo meu segundo pint de Heineken na companhia um amigo quando, de repente, um desconhecido número acende na tela do meu aparelho celular. Até aí, nada anormal, todo mundo tem o direito de te ligar errado por volta da 1h30 da madruga. O problema é que a pessoa do outro lado realmente queria falar comigo, mesmo que isso não deixe de caracterizar o bizarro telefonema como um engano.

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Graciosa, como Ganesh

IMG_1794Foi por volta de 2002 ou 2003. Ela era do Rio, recém chegada em SP, mexia em PHP-Nuke (coisa que eu não entendia), fumava horrores e tinha mania de corrigir meus textos. Nada poderia ser mais insuportável. Não ia durar muito, não tinha como.

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